Marcette’s Weblog


O Peru de Natal
dezembro 12, 2007, 3:37 pm
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Em mês de Natal, reli este texto e resolvi postá-lo. Como não se emocionar com a sensibilidade que Mário de Andrade dá a uma noite tão familiar e especial?

 

O Célebre escritor Mário de Andrade 

O Peru de Natal

Mário de Andrade

O nosso primeiro Natal de família, depois da morte de meu pai acontecida cinco meses antes, foi de conseqüências decisivas para a felicidade familiar. Nós sempre fôramos familiarmente felizes, nesse sentido muito abstrato da felicidade: gente honesta, sem crimes, lar sem brigas internas nem graves dificuldades econômicas. Mas, devido principalmente à natureza cinzenta de meu pai, ser desprovido de qualquer lirismo, de uma exemplaridade incapaz, acolchoado no medíocre, sempre nos faltara aquele aproveitamento da vida, aquele gosto pelas felicidades materiais, um vinho bom, uma estação de águas, aquisição de geladeira, coisas assim. Meu pai fora de um bom errado, quase dramático, o puro-sangue dos desmancha-prazeres.Morreu meu pai, sentimos muito, etc. Quando chegamos nas proximidades do Natal, eu já estava que não podia mais pra afastar aquela memória obstruente do morto, que parecia ter sistematizado pra sempre a obrigação de uma lembrança dolorosa em cada almoço, em cada gesto mínimo da família. Uma vez que eu sugerira à mamãe a idéia dela ir ver uma fita no cinema, o que resultou foram lágrimas. Onde se viu ir ao cinema, de luto pesado! A dor já estava sendo cultivada pelas aparências, e eu, que sempre gostara apenas regularmente de meu pai, mais por instinto de filho que por espontaneidade de amor, me via a ponto de aborrecer o bom do morto.Foi decerto por isto que me nasceu, esta sim, espontaneamente, a idéia de fazer uma das minhas chamadas “loucuras”. Essa fora aliás, e desde muito cedo, a minha esplêndida conquista contra o ambiente familiar. Desde cedinho, desde os tempos de ginásio, em que arranjava regularmente uma reprovação todos os anos; desde o beijo às escondidas, numa prima, aos dez anos, descoberto por Tia Velha, uma detestável de tia; e principalmente desde as lições que dei ou recebi, não sei, de uma criada de parentes: eu consegui no reformatório do lar e na vasta parentagem, a fama conciliatória de “louco”. “É doido, coitado!” falavam. Meus pais falavam com certa tristeza condescendente, o resto da parentagem buscando exemplo para os filhos e provavelmente com aquele prazer dos que se convencem de alguma superioridade. Não tinham doidos entre os filhos. Pois foi o que me salvou, essa fama. Fiz tudo o que a vida me apresentou e o meu ser exigia para se realizar com integridade. E me deixaram fazer tudo, porque eu era doido, coitado. Resultou disso uma existência sem complexos, de que não posso me queixar um nada.

Era costume sempre, na família, a ceia de Natal. Ceia reles, já se imagina: ceia tipo meu pai, castanhas, figos, passas, depois da Missa do Galo. Empanturrados de amêndoas e nozes (quanto discutimos os três manos por causa dos quebra-nozes…), empanturrados de castanhas e monotonias, a gente se abraçava e ia pra cama. Foi lembrando isso que arrebentei com uma das minhas “loucuras”:

— Bom, no Natal, quero comer peru.

Houve um desses espantos que ninguém não imagina. Logo minha tia solteirona e santa, que morava conosco, advertiu que não podíamos convidar ninguém por causa do luto.

— Mas quem falou de convidar ninguém! essa mania… Quando é que a gente já comeu peru em nossa vida! Peru aqui em casa é prato de festa, vem toda essa parentada do diabo…

— Meu filho, não fale assim…

— Pois falo, pronto!

E descarreguei minha gelada indiferença pela nossa parentagem infinita, diz-que vinda de bandeirantes, que bem me importa! Era mesmo o momento pra desenvolver minha teoria de doido, coitado, não perdi a ocasião. Me deu de sopetão uma ternura imensa por mamãe e titia, minhas duas mães, três com minha irmã, as três mães que sempre me divinizaram a vida. Era sempre aquilo: vinha aniversário de alguém e só então faziam peru naquela casa. Peru era prato de festa: uma imundície de parentes já preparados pela tradição, invadiam a casa por causa do peru, das empadinhas e dos doces. Minhas três mães, três dias antes já não sabiam da vida senão trabalhar, trabalhar no preparo de doces e frios finíssimos de bem feitos, a parentagem devorava tudo e ainda levava embrulhinhos pros que não tinham podido vir. As minhas três mães mal podiam de exaustas. Do peru, só no enterro dos ossos, no dia seguinte, é que mamãe com titia ainda provavam num naco de perna, vago, escuro, perdido no arroz alvo. E isso mesmo era mamãe quem servia, catava tudo pro velho e pros filhos. Na verdade ninguém sabia de fato o que era peru em nossa casa, peru resto de festa.Não, não se convidava ninguém, era um peru pra nós, cinco pessoas. E havia de ser com duas farofas, a gorda com os miúdos, e a seca, douradinha, com bastante manteiga. Queria o papo recheado só com a farofa gorda, em que havíamos de ajuntar ameixa preta, nozes e um cálice de xerez, como aprendera na casa da Rose, muito minha companheira. Está claro que omiti onde aprendera a receita, mas todos desconfiaram. E ficaram logo naquele ar de incenso assoprado, se não seria tentação do Dianho aproveitar receita tão gostosa. E cerveja bem gelada, eu garantia quase gritando. É certo que com meus “gostos”, já bastante afinados fora do lar, pensei primeiro num vinho bom, completamente francês. Mas a ternura por mamãe venceu o doido, mamãe adorava cerveja.Quando acabei meus projetos, notei bem, todos estavam felicíssimos, num desejo danado de fazer aquela loucura em que eu estourara. Bem que sabiam, era loucura sim, mas todos se faziam imaginar que eu sozinho é que estava desejando muito aquilo e havia jeito fácil de empurrarem pra cima de mim a… culpa de seus desejos enormes. Sorriam se entreolhando, tímidos como pombas desgarradas, até que minha irmã resolveu o consentimento geral:É louco mesmo!…Comprou-se o peru, fez-se o peru, etc. E depois de uma Missa do Galo bem mal rezada, se deu o nosso mais maravilhoso Natal. Fora engraçado:assim que me lembrara de que finalmente ia fazer mamãe comer peru, não fizera outra coisa aqueles dias que pensar nela, sentir ternura por ela, amar minha velhinha adorada. E meus manos também, estavam no mesmo ritmo violento de amor, todos dominados pela felicidade nova que o peru vinha imprimindo na família. De modo que, ainda disfarçando as coisas, deixei muito sossegado que mamãe cortasse todo o peito do peru. Um momento aliás, ela parou, feito fatias um dos lados do peito da ave, não resistindo àquelas leis de economia que sempre a tinham entorpecido numa quase pobreza sem razão.— Não senhora, corte inteiro! Só eu como tudo isso!

Era mentira. O amor familiar estava por tal forma incandescente em mim, que até era capaz de comer pouco, só-pra que os outros quatro comessem demais. E o diapasão dos outros era o mesmo. Aquele peru comido a sós, redescobria em cada um o que a quotidianidade abafara por completo, amor, paixão de mãe, paixão de filhos. Deus me perdoe mas estou pensando em Jesus… Naquela casa de burgueses bem modestos, estava se realizando um milagre digno do Natal de um Deus. O peito do peru ficou inteiramente reduzido a fatias amplas.

— Eu que sirvo!

“É louco, mesmo” pois por que havia de servir, se sempre mamãe servira naquela casa! Entre risos, os grandes pratos cheios foram passados pra mim e principiei uma distribuição heróica, enquanto mandava meu mano servir a cerveja. Tomei conta logo de um pedaço admirável da “casca”, cheio de gordura e pus no prato. E depois vastas fatias brancas. A voz severizada de mamãe cortou o espaço angustiado com que todos aspiravam pela sua parte no peru:

— Se lembre de seus manos, Juca!

Quando que ela havia de imaginar, a pobre! que aquele era o prato dela, da Mãe, da minha amiga maltratada, que sabia da Rose, que sabia meus crimes, a que eu só lembrava de comunicar o que fazia sofrer! O prato ficou sublime.

Mamãe, este é o da senhora! Não! não passe não!

Foi quando ela não pode mais com tanta comoção e principiou chorando. Minha tia também, logo percebendo que o novo prato sublime seria o dela, entrou no refrão das lágrimas. E minha irmã, que jamais viu lágrima sem abrir a torneirinha também, se esparramou no choro. Então principiei dizendo muitos desaforos pra não chorar também, tinha dezenove anos… Diabo de família besta que via peru e chorava! coisas assim. Todos se esforçavam por sorrir, mas agora é que a alegria se tornara impossível. É que o pranto evocara por associação a imagem indesejável de meu pai morto. Meu pai, com sua figura cinzenta, vinha pra sempre estragar nosso Natal, fiquei danado.

Bom, principiou-se a comer em silêncio, lutuosos, e o peru estava perfeito. A carne mansa, de um tecido muito tênue boiava fagueira entre os sabores das farofas e do presunto, de vez em quando ferida, inquietada e redesejada, pela intervenção mais violenta da ameixa preta e o estorvo petulante dos pedacinhos de noz. Mas papai sentado ali, gigantesco, incompleto, uma censura, uma chaga, uma incapacidade. E o peru, estava tão gostoso, mamãe por fim sabendo que peru era manjar mesmo digno do Jesusinho nascido.

Principiou uma luta baixa entre o peru e o vulto de papai. Imaginei que gabar o peru era fortalecê-lo na luta, e, está claro, eu tomara decididamente o partido do peru. Mas os defuntos têm meios visguentos, muito hipócritas de vencer: nem bem gabei o peru que a imagem de papai cresceu vitoriosa, insuportavelmente obstruidora.

— Só falta seu pai…

Eu nem comia, nem podia mais gostar daquele peru perfeito, tanto que me interessava aquela luta entre os dois mortos. Cheguei a odiar papai. E nem sei que inspiração genial, de repente me tornou hipócrita e político. Naquele instante que hoje me parece decisivo da nossa família, tomei aparentemente o partido de meu pai. Fingi, triste:

— É mesmo… Mas papai, que queria tanto bem a gente, que morreu de tanto trabalhar pra nós, papai lá no céu há de estar contente… (hesitei, mas resolvi não mencionar mais o peru) contente de ver nós todos reunidos em família.

E todos principiaram muito calmos, falando de papai. A imagem dele foi diminuindo, diminuindo e virou uma estrelinha brilhante do céu. Agora todos comiam o peru com sensualidade, porque papai fora muito bom, sempre se sacrificara tanto por nós, fora um santo que “vocês, meus filhos, nunca poderão pagar o que devem a seu pai”, um santo. Papai virara santo, uma contemplação agradável, uma inestorvável estrelinha do céu. Não prejudicava mais ninguém, puro objeto de contemplação suave. O único morto ali era o peru, dominador, completamente vitorioso.

Minha mãe, minha tia, nós, todos alagados de felicidade. Ia escrever «felicidade gustativa», mas não era só isso não. Era uma felicidade maiúscula, um amor de todos, um esquecimento de outros parentescos distraidores do grande amor familiar. E foi, sei que foi aquele primeiro peru comido no recesso da família, o início de um amor novo, reacomodado, mais completo, mais rico e inventivo, mais complacente e cuidadoso de si. Nasceu de então uma felicidade familiar pra nós que, não sou exclusivista, alguns a terão assim grande, porém mais intensa que a nossa me é impossível conceber.

Mamãe comeu tanto peru que um momento imaginei, aquilo podia lhe fazer mal. Mas logo pensei: ah, que faça! mesmo que ela morra, mas pelo menos que uma vez na vida coma peru de verdade!

A tamanha falta de egoísmo me transportara o nosso infinito amor… Depois vieram umas uvas leves e uns doces, que lá na minha terra levam o nome de “bem-casados”. Mas nem mesmo este nome perigoso se associou à lembrança de meu pai, que o peru já convertera em dignidade, em coisa certa, em culto puro de contemplação.

Levantamos. Eram quase duas horas, todos alegres, bambeados por duas garrafas de cerveja. Todos iam deitar, dormir ou mexer na cama, pouco importa, porque é bom uma insônia feliz. O diabo é que a Rose, católica antes de ser Rose, prometera me esperar com uma champanha. Pra poder sair, menti, falei que ia a uma festa de amigo, beijei mamãe e pisquei pra ela, modo de contar onde é que ia e fazê-la sofrer seu bocado. As outras duas mulheres beijei sem piscar. E agora, Rose!…


Mário de Andrade
(1893-1945), nasceu em São Paulo, mostrando desde cedo inclinação pela música e literatura. Seu interesse pelas artes levou-o a realizar em São Paulo, de parceria com Oswald de Andrade, a Semana de Arte Moderna, que rasgou novas perspectivas para a cultura brasileira. Sua obra, essencialmente brasileira, reflete um nacionalismo humanista, que nada tem de místico e abstrato. “Macunaíma”, baseada em temas folclóricos é, geralmente, considerada a sua obra-prima.

O texto acima foi extraído do livro “Nós e o Natal“, Artes Gráficas Gomes de Souza, Rio de Janeiro, 1964, pág. 23..

Fonte: Projeto Releituras



A Velha a Fiar
dezembro 10, 2007, 12:57 pm
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Neste fim de semana eu estava no Orkut fuçando a vida dos outros quando apareceu na minha página, na parte de últimas atualizações, um vídeo recém-postado pela minha amiga Gisa que foi o vencedor de um prêmio Gongo (acho que é isso mesmo). O vídeo era baseado no primeiro vídeoclipe brasileiro e um dos primeiros do mundo chamado “A Velha a Fiar” do ano de 1964.

Como eu achei o máximo o vídeo original, estou postando ele aqui para todos verem.

Abraços.

Estava a velha em seu lugar
Veio a mosca lhe fazer mal
A mosca na velha e a velha a fiar

Estava a mosca em seu lugar
Veio a aranha lhe fazer mal
A aranha na mosca, a mosca na velha e a velha a fiar

Estava a aranha em seu lugar
Veio o rato lhe fazer mal
O rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha e a velha a fiar

Estava o rato em seu lugar
Veio o gato lhe fazer mal
O gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha e a velha a fiar

Estava o gato em seu lugar
Veio o cachorro lhe fazer mal
O cachorro no gato, o gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha e a velha a fiar

Estava o cachorro em seu lugar
Veio o pau lhe fazer mal
O pau no cachorro, o cachorro no gato, o gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha e a velha a fiar

Estava o pau em seu lugar
Veio o fogo lhe fazer mal
O fogo no pau, o pau no cachorro, o cachorro no gato, o gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha e a velha a fiar

Estava o fogo em seu lugar
Veio a água lhe fazer mal
A água no fogo, o fogo no pau, o pau no cachorro, o cachorro no gato, o gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha e a velha a fiar

Estava a água em seu lugar
Veio o boi lhe fazer mal
O boi na água, a água no fogo, o fogo no pau, o pau no cachorro, o cachorro no gato, o gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha e a velha a fiar

Estava o boi em seu lugar
Veio o homem lhe fazer mal
O homem no boi, o boi na água, a água no fogo, o fogo no pau, o pau no cachorro, o cachorro no gato, o gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha e a velha a fiar

Estava o homem em seu lugar
Veio a mulher lhe fazer mal
A mulher no homem, o homem no boi, o boi na água, a água no fogo, o fogo no pau, o pau no cachorro, o cachorro no gato, o gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha e a velha a fiar

Estava a mulher em seu lugar
Veio a morte lhe fazer mal
A morte na mulher, a mulher no homem, o homem no boi, o boi na água, a água no fogo, o fogo no pau, o pau no cachorro, o cachorro no gato, o gato no rato, o rato na aranha, a aranha na mosca, a mosca na velha e a velha a fiar

Fonte: Site do Terra



Depois de Chuck Norris e Jack Bauer…
dezembro 7, 2007, 12:40 pm
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1. Deus disse que iria fazer o mundo em 7 dias. Capitão Nascimento disse bem alto: “Faça em 6, Sr. 01!”

2. Capitão Nascimento dorme com a luz acesa, não porque ele tem medo do escuro, mas o escuro teme ele!

3. Capitão Nascimento joga roleta russa com uma arma inteiramente carregada, e ganha.

4. A farda do Capitão Nascimento é preta porque nenhuma outra cor quis ficar perto dele.

5. Capitão Nascimento dorme com um travesseiro debaixo de uma arma.

6. Principais causas de morte no Brasil: 1º Ataque do coração, 2º Capitão Nascimento, 3º Câncer

7. A opção 1 é a maior porque a maioria dos bandidos morre do coração quando vê o Capitão Nascimento.

8. O Capeta queria entrar no BOPE, mas o Capitão Nascimento fez ele desistir apenas dizendo: “666, Você é o novo xerife!”

9. Capitão Nascimento é a razão de Bin Laden ainda estar se escondendo.

10. Capitão Nascimento não sai de lugar nenhum devendo ninguém, sempre põe na conta do Papa.

11. Capitão Nascimento não tem medo da morte, a morte tem medo dele.

12. Quando Deus disse “Que se faça a luz!”. Capitão Nascimento falou “Tá de sacanagem, Sr. 01? Tá com medinho do escuro, Sr. 01?”

13. Getúlio Vargas não cometeu suicídio, ele só pediu pro Capitão Nascimento: “Na cara não, pra não estragar o velório.”

14. Quando Deus resolveu criar o Universo foi pedir permissão ao Capitão Nascimento e ele respondeu: “Senta o dedo nessa porra!”

15. A roupa do Super-Homem era preta até o Capitão Nascimento dizer: “Tira essa roupa preta porque você é moleque!”

16. Capitão Nascimento trabalhou como negociador da polícia. Seu trabalho era ligar para os seqüestradores e dizer: “Pede pra sair!”

17. Quantos Capitão Nascimento são necessários para trocar uma lâmpada? Nenhum, Capitão Nascimento também mata no escuro.

Fonte: Celebriblog



Mães falam de guerra
novembro 29, 2007, 1:32 pm
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Olá amigos,

ontem a noite, em um momento de tédio resolvi folhear uma revista velha e li sobre mães que tem filhos na guerra. Como não há (pelo menos não achei pelo google) a princípio ninguém que já tenha transcrito este texto, resolvi traduzi-lo para o português e postá-lo aqui.

Não tenho um  motivo para convencê-lo a ler este depoimento a não ser o relato de uma mãe que viu meninos de uniforme lutando por algo inútil.

Eis ai o texto traduzido por mim.

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Mães falam de guerra
Por Susan Galleymore

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Susan Galleymore visitando seu filho Nick no triângulo sunita do Iraque.
 Susan e seu filho Soldado
Meu filho é um soldado americano implantado no triângulo sunita. Em janeiro eu viajei até lá para visitá-lo e conversar com os iraquianos. Achei que, apesar da vasta diferenças culturais e econômicas entre mães no Iraque e nos Estados Unidos, a preocupação com nossos filhos nos une. 

Encontramos Sandy no Missouri. Quando as mesquitas xiitas foram bombardeadas em Bagdá, Karbala Sandy instigou seu filho soldado, David, a doar sangue para as vítimas. “Eu não entendo a desumanidade de seus colegas”, diz ela. “Vamos mães conversaremos e vamos convencer o mundo de que a vida é tão preciosa e guerra é tão emudecedora”.

Anwar de Bagdad diz, “Uma noite uma patrulha militar jogou uma luz no nosso carro e os soldados começaram a disparar em nós. Meu marido colocou a mão para fora da janela e gritou: Parem de atirar! É só minha esposa e meus filhos no carro! Mas os soldados atiraram durante quinze minutos. Eu estava grávida e fui atingida tiro no pé e no braço  coberta de sangue pelo meu marido que morreu naquela noite. Assim fizeram orfãos o meu filho de 18 anos de idade e minhas filhas de 14 e 8 anos. Quando você voltar para a América, diga que há uma tragédia no Iraque. ”

Entre o calorento verão e o frio inverno, Marianne detém até fotografias de seus filhos fora do soldado correios em sua cidade natal Michigan. “Passem, porque sequer olham para nós nunca tem em mente os rostos dos nossos filhos. Vejo um grupo de americanos no Iraque enriquecendo com seus amigos corporativos, em detrimento dos nossos filhos. No noticiário eles estão atentos para ocultar os verdadeiros números dos mortos e feridos. Nunca veremos os seus rostos. Eles estão anônimos, escondidos, não são os filhos de pessoas como você e eu, porque essa desuhumanidade e esta administração não pode dar ao luxo de vir a público e se identificar com nossos filhos “.

Os pesadelos das Crianças
Ana é experiente com a guerra na sua nativa Nicarágua. Seu filho entrou no 4o Divisão de Armoredo porque quer melhores oportunidades na vida. Militares recrutados dizem as vantagens: empréstimos, casa, educação gratuita. “Ele poderia ter essas coisas sem ser tornar militar se estudasse arduamente no colégio. Ele foi ferido em Tikrit, enviado à Alemanha para assistência médica e retornou ao Iraque. Ele fala que iraquianos o consideram bem educado e respeitador. Ele diz que se você prestar atenção e ouvir-los, pode aprender árabe suficiente para respondê-los. Iraquianos fazem com que ele se sinta em casa. ”

Aglame, um Chaldeen cristão de Bagdá afirma, “Quando a guerra começou, vimos a baias de abertura com as bombas sob os aviões voando sobre a nossa casa; tantas explosões e tantas bombas. Agora, os nossos filhos têm pesadelos e não querem sair. Soldados americanos dão pontapés na nossa porta no meio da noite, puxe nossas família para fora da cama e as deixa permanecer nas ruas antes de se totalmente cobertas. Para muçulmanos isto é ruim. Isto é ruim para os cristãos também, mas pior para os muçulmanos que têm códigos restritos de vestimenta”.

Recentemente, a mãe de Palo Alto, na Califórnia, que ouviu falar da minha viagem para visitar o meu filho, escreveu-me: “Você deveria se envergonhar de si propria por embaraçar seu filho. Ele está lá por opção, ele não é um garotinho. Você deveria estar orgulhosa, ele é homem o suficiente para se ajuntar as nossas forças armadas. Estou orgulhosa do meu filho. Rezo, Choro, mas estou confiante que Deus o trará de volta de forma segura. Que tipo de mãe é você? Pessoas como você não deveria ser permitida no Iraque. Você não é americana. Tente conversar com os muçulmanos radicais e não vai viver longos anos!

Eu respondi: “Eu estou muito embaraçada por nossa nação ir à guerra do Iraque e irei visitar o meu filho. Filhos e filhas americanos devem estar na casa onde eles pertencem”.

Susan Galleymore é a mãe de um soldado americano no Iraque. Depois de visitar o filho em Bagdá, ela criou Mother Speak (www.motherspeak.org) para dar voz às mães afetadas pela “guerra contra o terror”.
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Texto retirado do site War Times

 



Chico Grilo
novembro 26, 2007, 2:27 pm
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Recebera o apelido pela sua semelhança com um grilo: fininho, pernas compridas, braços grandes. Chico grilo é o mimo da família. O caçula de três irmãos que tinham como diversão caçoar do garoto, e ele adora aquela centrismo nele.

Imita as manias da velha mãe. pega o celular e coloca apelidos jocosos no pai. Imita o tom de voz desnutrido da irmã mais nova e segue o irmão aonde ele vai pra se aproveitar das benesses do cidadão, como os passeios na praça.

Desde que nasceu apronta as dele. Chico caiu da cama bebezinho e dava cabeçada na mãe quando ia mamar, fazendo ela perder os dois dentes de baixo. Gritava quandos os irmãos iam pra escola, até ficar sem voz, dava pra ouvir do outro lado da rua os seus gemidos. Uma vez, ainda bebê, o irmão que se achava um barbeiro resolveu cortar o cabelo de Chico e o resultado são as fotos do menino do colo dele com um lado comprido e outro curto.

Na infância, aprontava as suas na escola e, quando a mãe era chamada, fazia cara de vítima e dizia que era perseguição da professora. Chorava sem sair lágrima alguma e a irmã revoltada acusava:

_ Mãe, a senhora não vê que ele esta mentindo?

E o menino ria escondido, enquanto a mãe tomava suas dores… até o dia em que o irmão mais velho foi buscá-lo e encontrou ele mexendo com um menino que tinha quase o dobro de sua altura. Acabou ali a alegria de Chico, pois ele contou para mãe o que ouviu e ela não aceitou mais as desculpas do menino.

Chico grilo é um adolescente normal, mas vive se metendo em conversas de adulto. Não que outros não façam isso hoje mas Chico, além de se meter, dá respostas que a ele não foram sequer perguntadas. Tem uma preguiça descomunal, deixa a mãe a gritar pela casa para que escovasse os dentes, tomasse banho, levantasse da cama.

Mas Chico também faz os amigos rirem quando comeca com as caretas, e o irmão conta suas histórias para os colegas de trabalho. Chico mexe com as criançinhas na feira quando ajuda a mãe a comprar as frutas e legumes. Cutuca crianças distraídas e faz caretas pra elas. Se o pai das crianças olha, faz cara de nada. O vizinho o chama de Mascara.

Na escola, sua trajetória em muito lembra uma corda bamba. Se melhora em português, piora em matemática. Se estuda história, deixa a geografia de canto, todo ano a mãe é chamada na escola, por comportamento indevido em sala, ou pelas pessimas notas do inicio do ano letivo.

Chico sempre será o personagem principal dos meus contos deste blog. Chico apronta todas, e mereçe um espaço para isso ser relatado. Em breve aguardem as estórias de Chico Grilo.



Perucas Lady
novembro 23, 2007, 8:48 pm
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Cabelo tipo peruca, mas bonitinho...

Estava lendo no blog do Bruno Medina (grande Brunão!) um post onde ele comentava seus traumas com barbeiros/cabelereiros que sempre cortam errado seu cabelo e me lembrei do meu maior trauma com profissionais da tesoura.

Quando eu tinha 14 anos, tinha um aspecto juvenil que não tem nada a ver com os dias atuais: meu cabelo era loiro, como se fosse queimado de sol, beem comprido, havia um franjão que ia até o ombro e era cheio, mas muito cheio. Mas como dificilmente mulher é satisfeita com seus próprios cabelos, cismei que iria dar um corte diferente nele. Daí rolou uma aposta com minha colega de sala: ela ia me avacalhar se eu não aparecesse com o bendito corte novo. Aí enfezada aceitei. E fui eu procurar um salão.

Próximo ao trabalho da minha mãe havia um salão muito bonitinho, onde trabalhavam uma mulher, uma garota (com cara de filha dela) e um rapaz, parecendo ser o dono. Entrei e logo fui atendida. Falei pra mulher que queria cortar o cabelo todo igual, no tamanho da franja. A cabelereira não estava acreditando no que ouvia.  Um cabelão daquele iria ser cortado? A garota então se meteu, falou que eu podia dar um corte diferente, tipo o dela, e o dela era muito legal, havia uma cor meio parecida com o meu. Ela começou a me convençer de que iria ficar muito show. Mas aí havia um problema: o meu cabelo era muito, e ela me convenceu novamente, falou que eu podia fazer um pézinho.

A cabelereira fez o pézinho e guardou o meu cabelo,  provavelmente pra implante depois e cortou do jeito que estava o dela. Na hora fiquei feliz cabelo molhado, mas depois vi o resultado. Cara eu parecia que estava de peruca! Tipo aqueles cabelos dos anos 80, daquela mulher do Flashdance? Caraca eu fiquei muito feia! Me lembro que ficou o maior franjão na frente, umas orelhas do lado e atras só o que sobrou encima do pézinho. Encontrei um amigo na rua que não me reconheceu e pior, tomou um susto quando me viu.

Micaço, aço, aço! Tinha um menino que mora perto da minha casa que me botou um apelido na época, peruca. Agora, depois de um mico desse, como esquecer uma estória dessas né…



Quantas lembranças
novembro 23, 2007, 5:59 pm
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Aiaiai, recebi um e-mail da minha amiga sobre coisas da infância e resolvi postar. Gente que cabelo era aquele?? as cores não eram lindas como as de agora, tudo meio opaco, sem brilho... mas foi gostoso ver os livrinhos da Coleção Vagalume (li quase todos), os doces, os mitos… segue um arquivo sobre estas lembranças que fazem parte da galera dos vinte e pouco anos em diante